Sobre a possível intervenção na Síria

Hoje o Secretário de Estado Kerry foi ao Senado americano para argumentar em favor de uma intervenção na Síria. A intervenção, na proposta de Obama seria de curta duração e teria como objetivo simplesmente suprimir a capacidade do governo Assad de usar armas químicas novamente. A justificativa de Kerry foi que isso é de interesse direto à nacional americana por três pontos levantados por Kerry. O mais importante é que o regime Assad não pode ficar impune pois a impunidade encorajaria outros regimes a fazer o mesmo, violando lei internacional.

Kerry foi questionado sobre a posição da Rússia, que até agora não aceitou as evidências de que armas químicas realmente foram usadas pelo governo da Síria. Na verdade, a Rússia, por meio do canal RT, vem acusando os EUA de serem eles grandes usuários históricos de armas químicas no Vietnã (napalm), e no Iraque (urânio depletado na ponta de mísseis). Durante sua fala, Kerry foi interrompido por um ativista que dizia que os EUA vem usando fósforo branco (para bombas incendiárias). O ativista foi retirado rapidamente, e não encontrei até agora referência a esse incidente na mídia. (*)

A resposta de Kerry foi que a Rússia vem sendo parceira dos EUA nos últimos tempos e que Obama vai a São Petersburgo nos próximos dias mostrar a Putin as evidências que os observadores da ONU coletaram na Síria. As evidências, segundo Kerry, deixam claro que armas químicas de fato foram usadas, e que o governo estava por trás delas, não os rebeldes. O governo sírio também acusa os rebeldes de terem usado armas químicas.

É interessante aqui fazer um parêntesis. Obama tinha cancelado a visita à Rússia por causa do asilo dado a Snowden. Voltou atrás, agora que quer apoio para intervir na Síria. Não acho que a Rússia vá dar qualquer apoio. Tampouco acho que Obama é ingênuo de acreditar nisso. Chuto que a conversa será a tentativa de se chegar em um acordo sobre um possível governo de transição na Síria. Um que garantiria uma certa segurança para a minoria Alawita, e que garantisse à Rússia a continuação do uso do porto para o Mediterrâneo.

A Al Jazeera vem defendendo a idéia de que o regime Assad foi o culpado pelos ataques. O canal vem mostrando imagens de supostas vítimas de ataques. Mas a postura do governo do Qatar, divulgada pela Al Jazeera, é contrária à intervenção dos EUA na Síria.

O Egito também é contra, mas não simplesmente por concordar com o Qatar. Pelo contrário, o governo egípcio acaba de fechar a filial da Al Jazeera no Egito, junto a outras duas mídias. É possível que o governo egípcio tenha esta postura contrária à intervenção por conta de cautela, e para não parecer estar apoiando os americanos bombardearem muçulmanos.

Aparentemente o principal aliado para a intervenção seria a França. No Reino Unido o primeiro ministro tentou apoiar Obama, mas foi barrado pelo seu congresso.

Israel está sendo cauteloso, mas já começou a se preparar para uma possível retaliação. Tanto a população já começou a comprar máscaras contra gás, quanto as forças armadas já começaram a fazer exercícios com navios militares americanos posicionados no Mediterrâneo.

(*) Até agora encontrei algumas coisas no Twiter. Foram 3 as interrupções, aparentemente por um grupo organizado.

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