Youtube quer vender fraldas pra quem gosta de Jimi Hendrix

Procurei “The Wind Cries Mary” no Youtube. Veja a foto da tela:

Youtube não entendeu

Qual é a chance de eu querer ouvir O Sapo Não Lava o Pé, quando eu procurei o nome de uma música do Jimi Hendrix? A empresa Baby Roger deveria pedir seu dinheiro de volta pra Google.

Imagino que quem gosta de Jimi Hendrix deve ser bem pouco consumista. Então quando a Google recebe uma busca como a minha, o sistema deles fica com esse abacaxi na mão e não sabe que propaganda oferecer.

Acho que o Youtube deve estar querendo saber o que alguém que ouve Jimi Hendrix acha de “O Sapo Não Lava o Pé”. Então lá vai:

Os primeiros 13 segundos são de fato promissores. A coisa começa com algo que parece Egberto Gismonti fazendo um arranjo de uma música de Villa Lobos. Aos 14 segundos, uma voz em tom patronize (*) animado de uma moça grita na sua orelha “Oi, Baby Roger”. Aí ao invés de deixar os músicos trabalharem, a tal moça passa a contar a respeito de um anfíbio que morava em uma lagoa e não lavava seu próprio pé.

O motivo atribuido à sua decisão de não lavar seus pés é seu próprio livre arbítrio e a questão parece se tornar importante quando o odor do pé do sapo se faz desagradável àqueles que convivem com o tal animal. Suponho que o sapo esteja sendo indiretamente acusado colocar em risco a saúde dos seus pés, modelo que não deve ser seguido pelas pessoas, sob pena de ter seus pés contraindo algum tipo de doença.

Mas revendo o universo no qual o sapo existe, é questionável condená-lo pois:

  • primeiro não existem grandes evidências sobre seu livre arbítrio
  • sapos não são animais sociais, então seu mal odor não tem grandes consequências
  • seu ambiente é aquático (lembre que ele mora na lagoa, e é anfíbio), o que coloca em perspectiva o próprio conceito de “lavar” o tal pé
  • mesmo que existisse qualquer doença causada pelo não-lavar os pés, o sapo não teria consciência disso, e não poderia ser acusado de não seguir um código de conduta humano

O martírio continua. Aparentemente, além de ensinar as crianças a terem repúdio pelo odor de seus próprios pés, o vídeo tenta ensinar as 5 vogais do alfabeto. Então a história é contada mais 5 vezes na “língua” de cada letra. Minha sugestão aqui seria a inclusão das vogais “ã”, “é” e “ó”, esquecidas pela produção do vídeo.

Baby Roger parece totalmente alheio à problemática causada pelo pé do sapo e se resume a sorrir e mandar um beijo para a câmera.

(*) Que falta faz esta palavra no portugues.

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