A ciência brasileira não é feita por cientistas, afirma professora da UFRJ

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No Brasil o cientista é tratado como palhaço e forçado a fazer ciência de brincadeira

A profa Dra Suzana Herculano-Houzel acerta na sua avaliação. A questão trabalhista é importantíssima. Lembro em um livro que era uma entrevista com Cesar Lattes (o cientista que deu o nome à Plataforma Lattes), ele dizer que a pesquisa no Brasil ia mal pois o pesquisador precisava se desdobrar entre fazer pesquisa, escrever tese, relatórios, e trocar fraldas. Se eu encontrar o livro, eu edito este post para colocar a citação precisa. O que ambos salientam é que o pesquisador é tratado como lixo e a brecha que existe em geral para quem quer pesquisar é fazer pós.

Conheci quem não podia sobreviver só com uma bolsa de mestrado e tinha que trabalhar no mercado de verdade e fazer o mestrado nas horas vagas. Ou seja, boa parte da pesquisa no Brasil é de fato feita nas horas vagas.

Também existe o mercado das aulas nas faculdades particulares de qualidade duvidosa. Já vi laboratórios em que 100% dos alunos davam aulas em faculdades particulares para complementar a renda. Como a FAPESP e CNPQ obrigam o bolsista a não ter vínculo empregatício, estes estudantes eram obrigados a se sujeitar a trabalhar de forma precária, sem qualquer direito trabalhista.

Mas quando eu li a manchete pensei que o artigo era sobre outra coisa, que talvez tenha a ver com o ponto de vista da Suzana. Pensei que a matéria era sobre o perfil de quem acaba indo pesquisar no Brasil.

Com a pesquisa nesta situação de quase marginalidade, não deve ser surpresa que alguns dos estudantes de graduação mais brilhantes acabem escolhendo o mercado não por convicção, mas para ter um emprego mais reconhecido, com alguma segurança. Ninguém quer sair da graduação sem ter sequer direito a ter seu trabalho contabilizado para aposentadoria! Evitar a pesquisa, mesmo gostando de ciência de fato acontece, como eu pude verificar.

Eu cansei de ver o nível médio dos pós graduandos de cursos de engenharia, matemática, e exatas em geral ser pior do que o nível médio dos melhores graduandos. Os alunos de pós desses cursos em sua grande maioria não é composto de graduandos do mesmo curso, mas sim de gente que se formou em cursos mais fracos.

Ou seja, a pesquisa não atrai os melhores alunos, principalmente nas áreas de tecnologia.

Fazendo um paralelo com o CMM (Capability Maturity Model), estamos no estágio mais baixo (nível I), no qual o sucesso depende do heroísmo de certos indivíduos. Não é assim que se constrói uma cultura de ciência.

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