Médicos e a saúde no Brasil

Depois da onda de manifestações em junho por todo o Brasil, a presidenta Dilma Rouseff apareceu em cadeia nacional prometendo, entre outras coisas, um pacto nacional pela saúde, o que incluiria a vinda de médicos estrangeiros (que todo mundo entendeu = cubanos), especialmente para regiões onde há falta de profissionais da área da saúde.

Nos dias seguintes, também se anunciou a exigência de mais dois anos nos cursos de medicina, para que os estudantes fossem atender no SUS, em estágio obrigatório (essa exigência já está sendo revista, segundo as últimas notícias, depois da reação de médicos e políticos).

As medidas propostas pelo governo causaram polêmica. Médicos reclamaram de autoritarismo do governo, de tentativas de desvalorizar a profissão, e até de uma estratégia de governo para trazer espiões cubanos comunistas disfarçados para fazer a revolução no Brasil… sim, médicos estavam dizendo isso.

Além desse último delírio, também havia médicos reclamando que mentiras estavam sendo divulgadas pela mídia, como esses mega-salários no interior do país, de 30 mil reais, para atrair profissionais. Segundo as reclamações, essas seriam armadilhas, já que só o primeiro salário costuma ser pago, tendo o profissional que entrar na justiça para continuar recebendo.

Outro argumento foi o de que não adianta investir apenas em salários e trazer médicos de fora, se faltam também coisas básicas nas unidades de saúde e hospitais, como gaze e esparadrapo. As condições de trabalho e estrutura, em grande parte dos casos, são péssimas, tornando impossível a atuação de profissionais, que não conseguem pedir exames e nem contar com instrumentos decentes.

Muitos também argumentaram que o problema no Brasil não era de falta de médicos. O número seria mais do que o suficiente, não havendo necessidade, portanto, de ampliar as vagas nos cursos de medicina, nem de abrir novos cursos. Isso só formaria médicos desempregados, fazendo o salário cair.

A OMS (Organização Mundial da Saúde), contudo, declarou apoio ao programa Mais Médicos do governo federal, segundo notícia de 24/07, da Folha de São Paulo (no link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/07/1316025-em-meio-a-criticas-braco-da-oms-diz-apoiar-programa-mais-medicos.shtml).

Já em maio, a Organização se pronunciava alertando para o baixo número de profissionais no Brasil. Segundo a OMS, há 17,6 médicos em nosso país para cada 10 mil pessoas, metade do número europeu e inferior à média das Américas, e o Maranhão “tem índice comparado a Iraque e Índia”.

O que chama a atenção, em relação ao número de médicos no Brasil, é a concentração em algumas regiões: “No Sudeste, por exemplo, a taxa é de 26 médicos por 10 mil habitantes, superior à dos Estados Unidos (24), Canadá (20) e Japão (21). Mas, nos Estados do Norte, são 10 médicos para cada 10 mil pessoas, abaixo da média nacional de países como Trinidad e Tobago, Tunísia, Tuvalu, Vietnã, Guatemala, El Salvador ou Albânia”.

A notícia saiu no Último Segundo, em 20 de maio: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-05-20/oms-alerta-para-o-baixo-numero-de-medicos-no-brasil.html

Bom, se os nossos médicos não querem ir a essas regiões distantes, pelos inúmeros motivos que apresentam, que fazer? Esperar até construir faculdades de medicina nessas regiões, abrir vagas, formar médicos (que fiquem lá), para atender a essas populações?

Esperar que um plano do governo tenha efeitos, e que os sistemas de saúde dessas regiões e suas estruturas melhorem, para que possam atrair profissionais?

E quem precisa de atendimento agora? Faz o quê?

 

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Um pensamento sobre “Médicos e a saúde no Brasil

  1. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/medico-brasileiro-comenta-gritaria-da-midia-sobre-medicos-cubanos.html

    Segundo a organização mundial de saúde, Cuba está na posição 40, enquanto que o Brasil está na posição 125, Espanha na posição 7, e Portugal em 12:

    http://en.wikipedia.org/wiki/World_Health_Organization_ranking_of_health_systems

    Ou seja, o Brasil, que tem o pior sistema de longe, se estivesse de fato tentando trazer cubanos estaria copiando o sistema de Portugal, que é um dos melhores do mundo.

    Por sinal, o mesmo ranking da OMS aponta o custo per capita de Cuba como sendo o de número 118. Ou seja, Cuba consegue ter um dos melhores sistemas de saúde com um dos menores custos do mundo.

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