Qual é o problema com o aborto?

Qual é o problema com o aborto?

Aqui a notícia do Pragmatismo Político, de 23 de julho:
Após legalização, Uruguai não registra morte de mulheres por aborto
(http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/07/apos-legalizacao-uruguai-nao-registra-morte-de-mulheres-por-aborto.html)

Por que tanta gente condena o aborto? Para mim, esse é um dos mistérios da vida, ao lado de “Por que tanta gente condena os homossexuais?”, “Por que as pessoas gostam de pescar?”, e “Por que as pessoas gostam de empinar pipa?”.

Esses dois últimos não têm a menor importância em relação aos dois primeiros, é verdade. Nem deveriam estar lado a lado. Mas também me intrigam. E como ainda são 10 e pouco da manhã, me permito postar umas coisas sem noção.

Por que as pessoas são contra o aborto, mesmo em casos absurdos como o estupro? Porque acham que se o aborto for legalizado, as mulheres vão sair abortando loucamente, como se não houvesse amanhã? Será que as pessoas acham que abortar é como fazer depilação, uma coisa que você vai lá e faz, com um pequeno incômodo? Ou será que é porque é uma coisa relacionada à mulher, ao corpo da mulher, ao direito da mulher? “Mulher que é mulher de verdade tem que ter filho. Senão, não é completa”.

Será que se os homens engravidassem, o aborto ainda seria proibido?

As mulheres abortam. Ricas e pobres, mais jovens e mais velhas, elas abortam. Sendo legal ou ilegal. Isso é um fato.

A diferença é que, sendo ilegal, elas morrem. E as mais pobres morrem muito mais, porque buscam formas mirabolantes de interromper a gravidez indesejada. E não têm assistência médica.

“Crianças” não vão deixar de morrer se o aborto for legal ou ilegal. Isso já acontece.

Por que não poupar pelo menos essas mulheres?

Por que são mulheres?

Hein, cabeças?

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6 pensamentos sobre “Qual é o problema com o aborto?

  1. O aborto sempre vai ser um tema polêmico e sempre vai estar na fronteira da discussão sobre moral pois está intrinsecamente relacionado com o tema da morte. Uns anos atrás eu estava conversando sobre isso com um amigo meu e ele estava falando sobre uma síndrome terrível. As crianças nascem com infecções no corpo todo e a grande maioria delas morre nos primeiros meses de vida.
    Ele falou também sobre uma entrevista com um jovem que tinha essa síndrome e tinha sobrevivido, ainda que ele tivesse que ficar se tratando constantemente. Aparentemente o jovem não tinha qualquer problema cognitivo.
    Ou seja, ele tem plena consciência da condição dele, e mesmo assim, por algum motivo, acha melhor continuar vivendo do que morrer. Mas é correto colocar conscientemente uma pessoa numa condição de ter que fazer essa escolha diante de um sofrimento desses? Por outro lado, esse jovem que teria sido candidato a ter sido abortado, o que ele diria?
    Acho que todos concordamos que abortar um bebê um dia antes do nascimento, aos 9 meses de gravidez é homicídio. Então quando passa a ser não homicídio? Aos 4 meses? 3? 2? Quem determina? Com base em que moral?
    Matar ser errado é algo simples de ser estabelecido. Mas estabelecer quando a vida começa sempre será uma questão de ponto de vista.
    Eu entendo que do ponto de vista do respeito à mulher esse tema soa como uma tentativa de legislar sobre o corpo dela, mas o fato é que quando ela passa a ter um bebe vivendo no corpo dela, são dois corpos.
    Eu acho que sim, se os homens engravidassem eles seriam criticados se abortassem, por se tratar de uma questão moral. Veja o caso daquela menina que engravidou depois de ter sido estuprada pelo padrasto. No final, a mãe foi inocentada pela igreja mas os médicos (homens) foram excomungados.
    Eu não acho que esse seja um tema simples, tampouco um que vai ser resolvido um dia.

  2. Para mim, a religião é a resposta pra tudo isso. Muitas pessoas continuam acreditando nas mesmas lorotas que aprenderam nas cartilhas pretas com as quais foram doutrinadas pelo resto de suas vidas. O que está escrito é lei. Engraçado como o que é constitucional pode ser passível de críticas e revisões, mas o que o livro preto prescreve é indiscutível. Há quem diga que as religiões não são responsáveis pela mentalidade sexista, pois as sociedades nas quais essas religiões foram instituídas já eram machistas. Ainda que isso fosse verdade, se a religião não fosse conivente com isso ela teria poder suficiente para mudar essa condição. Não muda porque esse estado de animalidade casa-se muito bem com as ideias religiosas.

  3. O livro preto não é passível de crítica pois existe a crença de que ele tem origem divina. Acabe com essa crença e você verá tudo começando a ruir no reino do obscurantismo. Por isso eu insisto que devemos nos esforçar para explicar os motivos pelos quais não aceitamos a origem divina dos textos religiosos.

  4. Então, parece que no Uruguai o aborto ficou legalizado nas primeiras 12 semanas, segundo essa notícia: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2837132&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas.
    Não tô muito por dentro, mas acho que tem uma discussão médica aí, sobre qual é o limite entre o aborto e o homicídio simplesmente. Sim, aborto com 6, 7, 8, 9 meses é homicídio, acho. Mas 3 meses, não.
    Mas será que as mulheres estariam mesmo dispostas a levar uma gravidez tão longe, para depois abortar, se for legalizado?
    Outra coisa que me intriga é justamente essa discussão moral sobre o assunto. Porque é comum ver pessoas condenando o aborto, mas defendendo a pena de morte, ou a redução da maioridade penal, ao mesmo tempo. Ué, se é tão a favor da vida, por que a vida do feto vale mais do que a vida do adulto, ou do adolescente que morre nos morros nas mãos da polícia?
    Sim, o velho livro preto… até quando, num estado laico, teremos que viver sob a sua autoridade?

  5. Acho que a discussão é essa mesma. Quando e se é correto matar, e o que é matar. Tudo que saia dessa discussão não ajuda muito, na minha opinião.
    Claro que todo ser humano deve ter total autonomia sobre o seu corpo. E claro que idealmente as gravidezes deveriam ser uma escolha consciente da mulher.
    Primeiro, no caso de total inviabilidade do feto, eu não acho que seja assassinato interromper a gravidez em qualquer estágio.
    Sobre a pena de morte, quem apoia esta ideia parte do princípio de que a punição com a morte é merecida após um ato criminoso de certa gravidade. O mesmo não se aplica a um ser humano que não teve ainda nenhuma oportunidade de cometer qualquer crime.
    Eu prefiro seguir a definição da Anistia Internacional: a vida é o principal direito humano. Destituir um ser humano da sua vida é a principal violação de um direito humano.
    Então, pra mim, a discussão caminha para definir quando um feto passa a ser humano.
    Eu não sei responder isso, mas minha melhor estimativa atual é que antes de ter um sistema nervoso é impossível que ele seja humano.

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